terça-feira, 20 de março de 2012

ESSA FASE FINAL...




Entrando no último mês!! Ufa, que caminhada até aqui! A ansiedade toma conta mais do que nunca...ela e os pés e mãos inchados, a dificuldade em conseguir uma posição para dormir, dores ocasionais e principalmente o grande sorriso no meu rosto. Não vejo a hora de estar com minha pequena nos braços, saudável e feliz. Os movimentos de Julia estão cada vez mais fortes e freqüentes, parece que me pede para sair de sua “casinha redonda”...será que vai ser agoniada que nem a mãe?!   É extremamente delicioso sentir as mexidas e até os soluços de Julia...vou sentir uma falta enorme disso. 


Converso muito com ela, canto enquanto aliso e embalo a barriga. Descobrimos músicas de todos os estilos, transformadas em canções de ninar, sons de caixinha de música...é o maior barato Beatles, Metálica, Pink floyd, Nirvana, Bob Marley, tudo para bebês. Também me atrevo a cantarolar alguma coisa de MPB que eu curto. Não sei se tem algum efeito mas creio que o vínculo entre nós duas só tem a ganhar com isso. Na última ultrassom percebemos que a danadinha está sentada...folgada toda...e espero que encaixe na posição cefálica até o momento do parto, senão terei que me render à cesariana e isso é tudo o que eu não quero.


Estou meio paranoica com as contrações que venho sentindo...as tais contrações de treinamento que são quase sempre indolores mas assustam um bocado. Parece que a qualquer momento elas vão se transformar nas contrações de trabalho de um parto antes da hora.

Outro dia estava pensando em como me sinto especial estando grávida e já me vejo sentindo saudade da barriga. É incrível você dormir, acordar, fazer suas coisas, sempre acompanhada, a cada instante, por um ser que está se formando em seu ventre, ter dois corações batendo dentro de vc. Agora eu nunca me sinto sozinha. A gente pensa que é um amor novo que está surgindo, mas na verdade é como se esse amor todo estivesse lá dentro, quietinho, esperando para desabrochar com a chegada do nosso bebê.

Poder falar para alguém que você o ama é fantástico e sendo esse alguém um ser que vc ainda nem viu é mais impressionante ainda, é meio que um amor idealizado, ficamos imaginando como será essa pessoinha (não apenas fisicamente) que preencherá nossa vida. É preciso um controle enorme para não se deixar levar por expectativas...afinal, tudo pode ser bem diferente do que se imagina.  

 O fato de estar chegando a hora faz a gente pensar...muita coisa está prestes a mudar.Tento me preparar (como se isso fosse totalmente possível) para os desafios, desencontros e responsabilidades dessa nova etapa de minha vida...e admito que não é fácil sair da zona de conforto e explorar novas perspectivas, mas esse amor fundamental, inexplicável e verdadeiro será o meu estímulo para fazer o melhor que eu puder. Isso só a vida real nos dará. As coisas nunca mais serão como antes...mas porque não pensar que serão melhores?!!! Só nos resta "recriar o paraíso agora para merecer quem vem depois".

segunda-feira, 5 de março de 2012

Meu presente: um PAI PRESENTE.


Nesta postagem faço uma homenagem a Max, meu Mah, meu companheiro e futuro papai da Julia. Tem sido encantador ver o pai que está nascendo em vc. Te amamos, viu?!




Por mais que tenhamos a mente aberta, sem machismos ou feminismos exacerbados, há sempre uma divisão de papéis entre homens e mulheres. Isso também fica evidente neste momento de preparação para chegada de nossa filha. Sei muito bem que a mulher gestando passa pelas maiores transformações, de físicas a emocionais, porém o futuro pai também não surge de uma hora para outra...são dois novos papéis, de mãe e pai, que terão que ser aprendidos. Posso dizer que a mãe que há em mim e o pai que há nele estão em continuo nascimento. Pensando assim, é sábia a natureza que nos dá esse tempo de nove meses (embora seja difícil essa espera que parece não ter fim), pois na verdade serão três pessoas a nascer: pai, mãe  e filha. 

Minha alegria tem sido perceber que Max é muito presente desde o começo. Foi ele que percebeu minha cintura mais larga e categoricamente disse: Sol vc está grávida! Naquela mesma noite compramos um teste de farmácia e surgiu o positivo que mudaria nossas vidas. Ele não falta a uma consulta ou ultrassom sequer. Opina, tira dúvidas com o médico, se interessa pelas coisas que eu leio sobre o tema gravidez, acompanha pelo site o desenvolver semanal da gravidez, me apóia quando digo que quero ter um parto normal. Sempre foi extremamente cuidadoso comigo e agora isso é ainda mais forte.

Max treina junto comigo a troca de fraldas e o banho em CACO nosso cobaia macaquinho de pelúcia. Isso me encanta pois sei que essas tarefas caberão com mais freqüência a mim, até porque ele volta a trabalhar bem mais cedo. Tenho certeza de que os momentos que ele compartilhará com ela, mesmo que nessas tarefas rotineiras, serão fundamentais para aumentar o vínculo, a amizade e cumplicidade entre eles, e acredito que tais momentos devam ser incentivados sempre. Max curte comigo cada roupinha, produto e objeto comprado para Julia, mesmo não entendendo muito para que “tanta coisa”, no universo mais prático dos homens.

Conversamos muitas vezes sobre a forma como educaremos nossa filhota, sobre como lidaremos com autoridade, e divagamos sobre como será a personalidade dela, suas reações etc...pode parecer bobagens de pais de primeira viagem, mas me emociona como a idéia de ser pai foi absorvida por ele com delicadeza, alegria e boas perspectivas.

Estamos enfrentando ainda a mudança de conviver sob o mesmo teto...o que até então não acontecia pois morávamos com nossas respectivas famílias. Mas fica evidente em seus gestos e em nossas conversas a disposição para acertar, como ele mesmo diz: o fazer direito, fazer dar certo. É muita mudança de uma vez mas  Mah tem se saído muito bem e fico cada dia mais orgulhosa do marido, companheiro e pai no qual ele vem se transformando.

Nesse emaranhado de papéis, mãe e pai, acabam sendo um só, devem se somar pois o nosso principal papel é amar, cuidar e ensinar esse ser que tem o condão de estreitar os laços de afeto, cumplicidade e responsabilidade. E é delicioso ter um pai presente...um presente de pai para nossa Julia.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

QUARTO QUASE PRONTO

Entrando no 8º mês. Até o médico comentou que a minha gravidez está surpreendendo, evoluindo melhor que o esperado. Que bom, espero que isso conte na hora em que eu revelar que desejo ter um parto normal. Todos dizem que o meu médico tende à uma cesariana, mas compreendo isso pois a grande maioria de suas pacientes é gestante de risco.

Esse último mês foi bem agitado: alugamos o apê e começamos, aos poucos, a deixá-lo "funcional", como Max costuma dizer. Nossa preocupação era de que quando Julia chegasse (e isso pode ocorrer antes da data prevista 30/04) tivéssemos o quarto dela e o nosso pronto, bem como a cozinha. O restante da casa vai sendo providenciado aos poucos

Como as coisas estão correndo tão bem, conseguimos ir mais além e até dia 15 de março receberemos os últimos móveis de sala e mesa de jantar...o que para nós será um luxo.

As roupinhas e lençóis já estão lavados e exaustivamente passados. No quarto dela só faltam alguns itens de decoração, como  o papel de parede. Até a cadeirinha já está no carro, sendo ocupada provisoriamente por nosso CACO (macaquinho de pelúcia) que tem sido nosso cobaia nas lições de troca de fraldas. 

Contagem regressiva a chegada de Julia e a ansiedade toma conta. Um vai-e-vem de apreensões que são de praxe em mães de primeira viagem: saber dar banho, cuidados com o umbigo, conseguir amamentar, deixá-la dormir sozinha no berço...e por aí vai. Mas tudo isso faz parte do desafio e crescimento de ser mãe.













segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

GRÁVIDA AOS 40...QUEM DIRIA?!



Dia 25 de janeiro fiz 40 anos e, ao mesmo tempo, completei 27 semanas de gravidez. O mais especial aniversário de minha vida embora, neste em particular, todas as atenções tenham sido para Julia: desde presentes até votos de um desenvolvimento tranqüilo e sem interrupções. Parece frase feita, mas é isso mesmo: o maior presente que eu poderia ter aos 40 anos foi comemorá-lo com um barrigão de 7 meses. O sonho de ser mãe já me acompanhava há muito tempo, desde que perdi um bebê no quinto mês de gestação, há quase 15 anos. Já imaginava que o realizaria apenas através de meus 14 sobrinhos ou de uma adoção.

De repente, eis que surge em nosso caminho a pequena Julia, contra todos os prognósticos, mostrando a força que as coisas têm quando devem acontecer. E olhando agora a minha vida, com mais calma, percebo que é o melhor momento para sua chegada. A estabilidade profissional e emocional, adquirida com o passar dos anos, só conta a nosso favor. Acredito que ao ter filhos quando somos mais jovens sentimos muito mais a responsabilidade, estamos menos seguros profissionalmente, financeiramente e emocionalmente. Até o fato de ter que abrir mão de uma vida social mais agitada pesa muito menos hoje do que se fossemos pais mais jovens.Tenho certeza de que ficar em casa curtindo o maridão e a filhota não será nenhuma rotina tediosa. Antes da gravidez já éramos um casal de poucas “baladas”, o que mais sinto falta de nossos passeios e trilhas de bike, além das sessões notívagos e viradas cinematográficas do cinecult.

Meu corpo quarentão tem respondido bem à gestação embora deva confessar que o repouso absoluto, por conta dos problemas iniciais, me permitiu descansar livre da rotina de 08 horas diárias de trabalho. Consegui mudar hábitos alimentares que não contribuíam com uma boa nutrição, como por exemplo refrigerantes, doces em excesso, frituras etc, essa disciplina é outra característica favorecida pela maturidade.

Já me preocupei com o fato de que quando Julia tiver seus 20 anos eu estarei com 60 e Max pertinho disso, mas logo tiro essa preocupação de meu coração porque a nossa idade é apenas cronológica. Nosso espírito é jovem, disposto a participar ativamente de cada etapa da vida de nossa filha, ensinando e aprendendo sempre com ela.

Enfim, parabéns para mim, parabéns para Julia que supera a cada dia as expectativas negativas e parabéns a todas as mães de 20, 30, 40, 50anos... 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

DOR E ALEGRIA



Entrei no sétimo mês, inicia-se a jornada do último semestre de gestação, e a alegria de ter nossa filhota vencendo etapas é boa demais. Meu grande desejo é conseguir chegar ao nono mês e poder ter minha Julia de forma natural, ou ao menos um parto vaginal...nada de cesariana. 

Sei que tenho uma luta pela frente pois para o meu médico meus 40 anos (completos amanhã), aliados a um útero bicorno  com um histórico de septoplastia , somados ao aborto que sofri na minha primeira gestação, me classificam como grávida de alto risco e me remetem  à dura realidade de uma cesariana.

Só me resta tentar me preparar física e psicologicamente para reverter essa história e conseguir ter o parto que eu tanto sonhei: normal, comigo dando o melhor de mim para que minha filhota venha ao mundo da forma menos traumática e benéfica para ela. É o acesso mais forte e pessoal à minha feminilidade, ao controle sobre mim mesma e à minha capacidade de superação.

Nas leituras sobre parto ativo e humanização do parto encontro sempre menção ao grande fantasma que aterroriza as gestantes que pensam em um parto normal: A DOR. A idéia de sentir “a maior dor que já senti na vida” amedronta um pouco mas eu penso a dor, ou pelo menos, essa dor, de uma forma um pouco diferente.  Imagino que seja algo intenso e difícil mas, se meu corpo está preparado para ela, é uma dor esperada, não patológica e é possível de ser suportada e superada. É dor única, sem igual, que não durará para sempre, no máximo um punhado de horas, mas me trará uma recompensa para toda a vida (minha princesinha), essa sim para sempre, que também será única, sem igual, especial e inesquecível.

As pessoas falam de uma cesariana como se fosse garantia de tranqüilidade e ausência de dor, esquecendo-se que o pós- operatório dessa cirurgia envolve dores, limitações, cuidados muito mais prolongados que os que ocorrem no parto normal.

Vou tentar, até o último instante, ter um parto normal que marcará a mim e a minha filha, porém sua marca será muito mais pelo benefício, pelo vínculo criado e beleza do momento que pela dor passageira...essa dirá adeus tão logo meu corpo tenha cumprido seu papel e será rapidamente esquecida.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

ESSE NOSSO MOMENTO...





Gosto bastante do blog mamíferas e leio sempre que posso. São textos muito bons, bastante enriquecedores, criativos, divertidos e inteligentes. É de grande ajuda nessa fase de inúmeras dúvidas, de grande ansiedade e longa espera.


 E por falar em espera há um post fantástico que, inclusive, compartilhei em meu face. Descreve com exatidão o turbilhão de sentimentos e sensações que vivenciamos nesse nosso momento. Essa espera é mesmo um rico aprendizado pessoal, uma deliciosa e surpreendente viagem para dentro de si mesma, na procura de tornar-se uma pessoa melhor capaz de receber, cuidar e amar, esse novo ser que vai chegar, com dignidade, coerência e de forma incondicional.


Segue abaixo:


A arte de esperar

por Kalu

Foto: Kalu Brum.
E de repente está lá dentro. É só uma idéia, um desejo, uma vida que se adéqua aquele morador misterioso do quarto fechado. Dizem que ele aparecerá em quarenta semanas, mas até a idéia de um tempo tão longo é meio vaga.
Perguntam quanto tempo ele está lá. A gente não se e pouco se preocupa com as contas, 12 ou 15 semanas, tanto faz. Nem parece que está por lá. A gente ainda não espera. Idealiza mais do que qualquer coisa. A gente vive em paralelo a existência.
Mas a data de chegar se aproxima. E começamos a pensar como será sua chegada. Pode ser a qualquer hora. Lá dentro o universo arruma o esperado ser até que esteja pronto. Soarão os sinos para sua chegada, antes que a cortina comece a se abrir.
Esperar é das tarefas mais difíceis. Não sabemos por quanto tempo esperar, não sabemos o que nos espera. Lá fora querem que a gente o apresse, que batamos na porta ou que arrombemos a fechadura.
Que graça terá recebê-lo sem que esteja pronto, tendo ele que se compor em uma incubadora?  Esperar desperta as nossas virtudes. Gestamos a paciência, a confiança, a fé e a certeza. Na espera sentamos ao lado do medo, batemos bato com nossas frustrações, choramos com nossas cicatrizes de alma. Quem espera pulsa.
Por vezes achamos que a maçaneta girou ou que um barulho estranho aconteceu lá dentro.  Entendemos que produzimos na ansiedade de quem quer arrombar o buraco da ampulheta sinais não verdadeiros.
E na espera aprendemos mais sobre nós, a colocar nossas virtudes em cena. Relaxar na espera é uma linda lição. Esperaremos a hora dele andar, falar, dormir sozinho, fazer a primeira viagem. Se soubermos respeitar veremos o milagre.
A porta se abrirá, rangendo, devagar e lindamente. Aparecerá uma cabeça, um corpo. Olhos sorridentes, bocas gratas silenciosas por sua espera. A gente duvida se a porta se abrirá. Mas ela sempre se abre. Cabe manter-se confiante na sala de espera.

Posição como mãe dorme aumenta chance de morte prematura do bebê

Eu já havia lido sobre isso e venho praticando dormir do meu lado esquerdo, desde o início da gravidez. apesar de a cada dia ficar mais difícil e incômodo encontrar uma posição para deitar, pelo visto, tenho feito a coisa certa.



FONTE: FOLHA ON LINE

NOVA FASE

Chegando ao fim do sexto mês. Uma caminhada e tanto iniciada com o susto de um descolamento placentário de 60%. Repouso absoluto, afastamento total do trabalho (até então minha maior fonte de realização, alegria e prazer), ter que aprender a se deixar ser cuidada. Para mim, pessoa acostumada a "se bastar", tudo isso foi um desafio. Mas acaba sendo um treino para a vivência da maternidade que requer paciência, abnegação, doação constante, amor incondicional, desapego de si em prol de uma nova vida. 


Em todo tempo a compreensão, paciência o apoio constante e diário de Mah, meu companheiro, foi fundamental. Outra pessoa de fundamental importância para que tenha chegado até aqui foi a minha chefe Danielle Garcia que tem me proporcionado as condições necessárias para uma gravidez sem mais sobressaltos, tranquila e em casa. Ela é dessas pessoas com que a vida te presenteia e que se tornam queridas e exemplos para toda a vida.

Muitos momentos ruins ficaram para trás: sangramentos, ultrassons com a conclusão: Ameaça de Abortamento, evitar qualquer tipo de carícia mais íntima porque a excitação faz o útero contrair, angústias, medos, privações.
Muitos momentos bons surgiram: minha barriga crescendo cada dia mais, ultrassons tranquilas e com ótimo prognóstico, sentir minha filhota mexer, "ver" seu desenvolvimento, diminuir as privações, começar o enxoval, sonhar com Julia e até "sentir" seu cheirinho. Poder relaxar um pouco mais e fazer planos...muitos planos junto com meu Mah.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O INÍCIO.


Finalmente nasceu o blog da minha florzinha. Estava ansiosa em poder expressar em palavras um pouco desse momento tão especial na minha vida e na vida de meu amado Max(que carinhosamente chamo de Mah).

Nessas postagens iniciais farei uma viagem no tempo tentando resgatar os momentos vividos por nós três até aqui. Um dia, quem sabe, nossa Julia lerá esses textos e saberá um pouco mais sobre sua história e sobre seus pais.